Samegrelo-Zemo Svaneti é a jornada vertical mais dramática da Geórgia. Nas terras baixas húmidas de Samegrelo, percorro o antigo território da Cólquida, o reino lendário onde o Velocino de Ouro estava pendurado num bosque sagrado e onde, ainda hoje, os pastores usam peles de ovelha para capturar ouro dos rios de montanha. Esta é a terra da dinastia Dadiani, cujo palácio neo-gótico em Zugdidi guarda uma das únicas três máscaras mortuárias de Napoleão Bonaparte — uma relíquia dos laços aristocráticos com a família Bonaparte que trouxe o refinamento francês para a orla do Cáucaso.
Aqui, o povo Mingreliano fala a sua própria língua cartveliana, distinta do georgiano, e a sua cozinha é uma revelação: o Elarji fundido e elástico (farinha de milho e queijo Sulguni), as picantes salsichas Kupati e a lendária pasta picante Ajika que define a audaciosa identidade culinária da região. A paisagem é igualmente dramática — as águas esmeralda do Cânion de Martvili esculpem o calcário jurássico, enquanto a Barragem de Enguri, uma maravilha de arco de betão de 271,5 metros, ergue-se como uma das estruturas hidroelétricas mais altas e potentes do mundo.
Depois, a estrada sobe. Seguindo o rio Enguri para o Grande Cáucaso, entro em Zemo Svaneti (Svaneti Superior), uma paisagem do Património Mundial da UNESCO congelada no tempo medieval. Aqui, o povo Svan — guardião da sua própria língua antiga e de hinos polifónicos que precedem o cristianismo — vive entre os icónicos koshki, torres defensivas de pedra construídas entre os séculos IX e XII para resistir a invasões, avalanches e vendetas de sangue. Ushguli, a 2.200 metros, é o assentamento continuamente habitado mais alto da Europa, um aglomerado de aldeias de pedra apequenado pela colossal muralha do Monte Shkhara (5.193 m). Fazer a trilha até ao Glaciar Chalaadi, testemunhar o 'mar de nuvens' nos Lagos Tobavarchkhili ou ouvir o hino assombroso Lile ecoar pelos vales é entrar num épico vivo onde a pedra, a neve e a canção perduraram por milénios.